29 de mar. de 2011

50 anos da Campanha "De Pé no Chão Também se Aprende a Ler"



Nos 50 anos da campanha "De Pé no Chão Também se Aprende a Ler", implementada na gestão do prefeito Djalma Maranhão, o prefeito mais progressista que Natal já teve e que acreditava na Educação Popular como um forte instrumento de alfabetização e formação cidadã, segue abaixo um texto do historiador Alexandre Albuquerque Maranhão.



– A memorável campanha política de 1960, foi organizada através dos Comitês Nacionalistas, também chamados de Comitês Populares ou Comitês de Rua. De janeiro a outubro, um importante trabalho de conscientização política havia frutificado: o povo de Natal, de forma consciente e participativa elegia em 03 de outubro de 1960, o primeiro prefeito pelo voto direto: Djalma Maranhão, com 21.942 votos (66%).

- Um mês antes das eleições, os duzentos e quarenta Comitês constituídos se reuniram, setorialmente, em Convenções de Bairros, onde discutiram e aprovaram o programa político-administrativo do futuro prefeito, que tomou posse em 05 de novembro de 1960. A principal reivindicação: erradicar o analfabetismo em Natal. Defensor da participação popular em todas as esferas da política, Djalma Maranhão atende de imediato, com criatividade e inovação, a solicitação dos Comitês Nacionalistas.

- Sem dinheiro para a construção de prédios escolares, a Prefeitura apelou para a população: onde fosse cedida, gratuitamente, sem cobrança de aluguel, uma sala, seria instalada uma “Escolinha”. Sindicatos, sociedades beneficentes, sedes de clubes de futebol, cinemas de bairros, igrejas de todos os credos, residências particulares, abriram as suas portas. Era o início da Campanha de Educação Popular. Foram instaladas cerca de trezentas “Escolinhas”, que foi a primeira das oito fases da Campanha.

- A necessidade de atacar o analfabetismo nas áreas mais densamente povoadas era um desafio a ser vencido. Numa reunião, início de fevereiro de 1961, no Comitê Nacionalista das Rocas, em uma das salas do grupo escolar do professor Acrísio Freire, hoje Escola Estadual Isabel Gondim, todos que ali estavam queriam acabar com o analfabetismo. Mas como, se não havia recursos financeiros? Foi quando surgiu a idéia de se fazer uma escola de palha de coqueiro.

- Em 23 de fevereiro de 1961, tinha início um Movimento Educacional que, mais tarde, seria batizado de Campanha de Pé no Chão Também se Aprende a Ler. Esta segunda fase é a escola sem paredes, coberta de palha de coqueiro e o piso de barro batido. Era a primeira experiência em grande escala da Escola Ecológica.

- Em 1961, construíram-se dois Acampamentos ou Pavilhões: o do bairro das Rocas e do Carrasco. Em 1962, mais sete, situados nos bairros periféricos das Quintas, Conceição, Granja, Nova Descoberta, Nordeste, Aparecida e Igapó, totalizando nove, que cobriam os limites da cidade. A criança pobre não tinha necessidade de deslocar-se para uma região distante de sua residência. E o mais importante, não exigia uniforme nem sapato para aqueles que a frequentavam.

- Um Acampamento Escolar era integrado por cinco galpões de 30m x 8m, com quatro salas de aula cada um, em forma retangular e um galpão circular destinado à recreação dos alunos; reuniões de círculos de pais e professores; festividades do bairro, servindo ainda como uma espécie de “teatro de arena”, para exibições de autos folclóricos. Cada Acampamento tinha uma biblioteca à disposição de alunos e professores. Completavam a paisagem do local, hortas e aviários, cuja produção era consumida pelos alunos na merenda diária e parque de recreação, fatores importantes de neutralização da evasão escolar. As únicas dependências construídas em alvenaria eram uma pequena sala, que funcionava como diretoria; secretaria; almoxarifado; local de guarda de caixas da biblioteca e da merenda escolar e os sanitários.

- No início de 1962 tem início a terceira fase: alfabetizar de casa em casa os adultos, que tinham resistência de ir à escola. Uma equipe, previamente treinada, de estudantes secundaristas: os professores-meninos-voluntários, entram em cena. Faixas foram colocadas nas diversas ruas do bairro das Rocas, como por exemplo – “Campanha de Pé no Chão Também se Aprende a Ler”: nesta rua restam somente 20 analfabetos. Ajude o Prefeito Djalma Maranhão a combater o analfabetismo. Foi inevitável a emulação de uma rua contra outra rua. A disputa agora é por quem irá ter o direito de inaugurar primeiro, uma placa, dizendo: “Nesta rua não existe nenhum analfabeto”.

- A quarta fase – dezembro de 1962: criação do Centro de Formação de Professores (CFP), que através de cursos oferecidos dentro das exigências da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e legalizado através do Conselho Estadual de Educação, preparava jovens para atender a grande demanda educacional.

- Em 11 de fevereiro de 1963 foi instalada a quinta fase – “De Pé no Chão Também se Aprende uma Profissão”. Destinava a dar ao jovem, ao homem alfabetizado e às mulheres, através de quase trinta Cursos de Aprendizes, os instrumentos profissionais para uma mão de obra especializada.

- A sexta fase – A Cartilha de Alfabetização de Adultos, lançada em abril de 1963: o livro de uma escola democrática. Cerca de cinco mil adultos foram matriculados. A grande maioria era constituída de pais das crianças que estudavam nos nove Acampamentos espalhados pela cidade. A Cartilha de Pé no Chão,foi uma adaptação do “Livro de leitura para adultos”, do Movimento de Cultura Popular de Pernambuco (MCP), através do Método Paulo Freire.

- A sétima fase – A interiorização da Campanha. Consolidada em Natal, ampliava seus espaços para o interior do Estado: várias prefeituras solicitaram bolsas de estudo para professores primários municipais, no Centro de Formação de Professores, assim como a devida assistência pedagógica.O idealismo e a seriedade da Campanha fizeram com que gestores públicos de todas as regiões do país solicitassem informações a respeito do mais autêntico Movimento de Educação Popular do Brasil.

- Oitava fase – A escola brasileira com dinheiro brasileiro. Era a época da “Aliança para o Progresso”, programa norte americano com transferência maciça de financiamentos a administrações que compactuavam com essa ingerência estrangeira. Contrapondo-se a esta interferência, Djalma Maranhão continuava na sua obstinada luta de construir Escolas com Dinheiro Brasileiro. Toda quarta-feira inaugurava uma Escola, transformando-se numa festa, com exibições de autos populares e folclóricos, principalmente de bambelô e discursos políticos das lideranças locais.

- Ao ser destruída pelo Golpe Militar, em abril de 1964, a Campanha De Pé no Chão Também se Aprende a Ler já tinha alfabetizado vinte e cinco mil crianças somente em Natal.

23 de fev. de 2011

UFRN repudia atitudes homofóbicas na Calourada

O reitor Ivonildo Rêgo endossa Carta de Repúdio do Grupo Universitário em Defesa da Diversidade e Expressão das Sexualidades diante de atitudes homofóbicas contra duas alunas na festa da Calourada da UFRN nesta segunda-feira, 21.

Em carta encaminhada à Reitoria, o GUDDES-RN repudia “atitudes de violência cometidas contra duas alunas, mulheres e lésbicas que, no exercício de sua cidadania e no direito de expressar livremente sua afetividade, foram mutuamente hostilizadas e sofreram ageressões físicas dentro do espaço da UFRN, na ocasião da recepção aos calouros, ocorrrida nesta segunda-feira, 21 de fevereiro, especificamente na Praça Cívica do Campus, nos arredores da instalação da concha acústica deste local”.

Na mesma carta, o grupo solicita às autarquias “que providências sejam tomadas a fim de apurar os fatos, combater atos desta anatureza e punir os agressores”.

O reitor da UFRN endossa todo teor da Carta e afirma que esse tipo de atitude é incompatível com o espírito universitário, de respeito às diferenças e à pluralidade. O professor Ivonildo Rêgo solicitou à Divisão de Segurança que procedesse investigações para identificar o agressor.


Fonte: UFRN

22 de fev. de 2011


Você sofre constantemente com o aumento da tarifa de ônibus?? Compareça, sua presença é fundamental!

O Brasil tem bons motivos para grandes manifestações


Estudantes europeus protestam contra reformas educacionais; mulheres italianas pedem o fim do governo Berlusconi; povos árabes querem a derrubada das ditaduras.

Por Hamilton Octavio de Souza

Não apenas os europeus, asiáticos e africanos têm os seus motivos para sair às ruas em grandes manifestações de protesto e de luta. Nas últimas semanas, as explosões de protestos pipocaram pelo mundo. Marchas, passeatas, concentrações – pelos mais variados motivos, mas, no geral, para defender liberdade, democracia, direitos, enfim, a demanda por um mundo melhor do que o atual, que tem sido degradado por modelo econômico predador e políticos e governos autoritários, omissos, decadentes ou simplesmente indiferentes às demandas populares.

Aqui, no Brasil, também temos manifestações: desde o começo de janeiro que estudantes e trabalhadores – de São Paulo e de outras capitais – protestam contra os aumentos dos serviços públicos de transportes. As passagens dos ônibus e de metrô foram reajustadas muito acima da inflação e dos reajustes salariais. Andar de ônibus e de metrô nas principais cidades brasileiras representa um peso inaceitável para quem precisa estudar e trabalhar. A privatização do transporte coletivo tira o pão da boca de muitas famílias.

A luta para a redução de tarifas tem sido tratada – pelas autoridades municipais, estaduais e federais – como caso de polícia, alvo de forte repressão. O Brasil todo viu – pela TV e pela Internet – como a Guarda Civil Metropolitana e a Polícia Militar utilizaram a truculência para reprimir uma dessas manifestações, quinta-feira, dia 17 de fevereiro, no centro de São Paulo, em frente à sede da Prefeitura Municipal, com o espancamento de populares, jornalistas e de três vereadores do PT.

Nesses dias, também, moradores de Belo Horizonte (MG) e do Rio de Janeiro (RJ) realizaram manifestações de protestos contra o despejo de comunidades que estão no caminho das obras viárias da Copa do Mundo (2014) e das Olimpíadas (2016). A especulação imobiliária fala mais alto do que o direito de moradia dos cidadãos. E as autoridades usam a truculência típica das ditaduras para “limpar” ocupações, assentamentos e bairros pobres – em nome do progresso e, particularmente, do lucro que alguns grupos terão com os megaeventos esportivos.

O Brasil e os brasileiros têm outros bons motivos para sair às ruas, protestar, lutar, fazer manifestações que sejam capazes de mudar essa história (pre)determinada pelos interesses econômicos das elites e do capital nacional e internacional. É claro que em cada cidade, região, comunidade, existe uma agenda específica de lutas que justifica a realização de protestos e manifestações, desde colocar o prefeito corrupto na cadeia, até exigir que as escolas públicas funcionem verdadeiramente com qualidade.

Da mesma forma, o País tem inúmeros motivos de dimensão nacional que justificariam a união do povo brasileiro, o fim da apatia e o surgimento de uma onda de manifestações. Alguns motivos para protestar são:

- A defesa dos povos do Xingu contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte, que é uma obra faraônica que vai consumir uma quantidade enorme de recursos públicos para um retorno energético pífio, sem contar o estrago ambiental e a destruição do acervo cultural e antropológico dos povos indígenas que habitam aquela região do Pará.

- A luta contra a aprovação do projeto de lei do novo Código Florestal, em tramitação no Congresso Nacional, e que possibilita a aceleração do processo de destruição da floresta amazônica, do cerrado e das matas protetoras dos rios e dos morros. O projeto do código, do jeito que está só serve aos interesses da especulação imobiliária, do agronegócio e dos destruidores da natureza.

- A luta pela nacionalização do petróleo do pré-sal e sua exploração racional conforme as necessidades do Brasil. Não permitir que esses importantes recursos dos brasileiros sejam entregues para o capital estrangeiro, e nem que a riqueza do pré-sal seja retirada a toque de caixa para manter o padrão de vida e o modelo energético dos Estados Unidos. Defender a exploração racional do pré-sal é algo estratégico para reduzir as desigualdades e construir um Brasil mais equilibrado econômica, social e ambientalmente.

- A democratização dos meios de comunicação; a universalização do ensino médio e superior público e gratuito; sistema público de saúde com excelente atendimento de qualidade; a imediata reforma agrária com amplo apoio estatal; acabar com o déficit habitacional, especialmente das populações que vivem em áreas de risco; promover a geração de empregos com aumento real dos salários.

Algumas dessas demandas são velhas conhecidas do povo brasileiro. Elas têm sido cantadas em prosa e verso desde o início da República, há mais de cem anos. Todos os governos as colocam no rol das promessas. Poucos conseguiram realmente avançar nas realizações. A paciência dos brasileiros tem sido muito maior do que a de outros povos – na Europa e na América Latina. Agora, a onda de protestos atinge países que também estavam em aparente acomodação social.

Não será surpresa que venham a ocorrer grandes manifestações populares aqui, convocadas por diferentes meios, apesar da passividade de partidos políticos e de entidades sindicais institucionalizados e domesticados pelos interesses dos grupos econômicos que mandam no País. A onda de protestos pode estar apenas começando – é o grito legítimo dos que clamam por outro rumo para a humanidade.

Hamilton Octavio de Souza é jornalista e professor.

16 de fev. de 2011

Ato do dia 15/02 reuniu centenas de pessoas


O ato que aconteceu na última terça-feira (15) reuniu centenas de pessoas. A atividade, que foi organizada pelo Fórum Pela Revogação do Aumento das Passagens em parceria com o SENALBA/RN e apoio de outros sindicatos e organizações políticas, levou ao centro da cidade de Natal cerca de 1.500 pessoas.

A concentração foi na Câmara Municipal de Natal (onde estava previsto haver a Cerimônia de reabertura dos trabalhos com a presença da Prefeita de Natal, Micarla de Sousa) seguida de caminhada em direção à sede do poder municipal, pois Micarla mudou o horário da solenidade para tentar fugir dos manifestantes.

Apesar de mais uma vez o movimento não conseguir falar com a prefeita, que de novo não encontrava-se na prefeitura, os manifestantes passaram a tarde no centro da cidade, dividindo-se em grupos que protestavam na Prefeitura, pela revogação do aumento das passagens, pelo pagamento dos salários atrasados e contra as demissões de centenas de trabalhadores da ATIVA, e outro grupo que se concentrou em frente a Assembléia Legislativa, onde protestavam contra a nova Governadora do RN, Rosalba Ciarlini, que vai demitir quase dois mil funcionários do MEIOS.

O ato foi encerrado por volta das 17h e os manifestantes prometeram voltar na próxima semana, dia 24/02, data em que está marcado o dia municipal de paralisação.

[...]

Abaixo algumas imagens do ato:


Multidão tomando a Avenida Rio Branco
Em frente a Assembléia Legistaliva
Faixa da ANEL, pelo Passe Livre para estudantes e desempregados

Fonte: CASS-UFRN

15 de fev. de 2011

MAIS UM ATO PELA REVOGAÇÃO DO AUMENTO DAS PASSAGENS


Nesta terça-feira haverá um novo ato pela revogação do aumento das passagens.

O ato será unificado com o SENALBA/RN que passa por um forte processo de enfrentamento com a prefeitura, pois quase dois mil trabalhadores de sua base estão sem receber salário desde novembro e mais de 700 estão sendo demitidos.

O ato é resultado do somatório de forças do movimento estudantil com o movimento sindical contra as políticas da atual gestão.

O ato foi marcado para a Câmara Municipal pois haveria a tarde a solenidade de reabertura dos trabalhos da Câmara, e a prefeita estaria presente na solenidade. Apesar de a prefeita ter mudado o horário de última hora, para o turno da manhã, o movimento está mantido e de lá iremos à Prefeitura!!

Some-se a nossa luta, ela é sua também!


ATO PELA REVOGAÇÃO DO AUMENTO DAS PASSAGENS
15/02 (TERÇA-FEIRA) - 14HS
CONCENTRAÇÃO NA CÂMARA MUNICIPAL (RUA JUNDIAÍ COM CAMPOS SALES)


Contato: 9451-6618 / 8845-9144